Me sentei na varanda, a casa vazia... Quase posso tocar o silêncio - isso me lembra Capital Inicial, mas deixa pra lá!
Fecho os olhos, me concentro, tento acalmar os pensamentos mas pássaros cantando freneticamente me dispersam...
Respiro fundo e volto a me concentrar... Uma rajada forte de vento quente lambe minha pele e trás consigo um furacão de sons: ouço árvores se agitando convulsivamente, o barulho forte das ondas quebrando o silêncio. Ao longe latidos me fazem lembrar dos vizinhos estranhos com suas galinhas cacarejando e, o quê? É o barulho de um bode isso??? - Meu Deus onde vim parar???
A Natureza GRITA!
Deixo a meditação para lá e me concentro nos sons. A Natureza é bem barulhenta... e viva!
Percebo o vento, ele está forte e causa sensações estranhas em meu corpo. Um calafrio arrepia minha pele.
Resolvo caminhar um pouco. Olho para o sol com um certo desânimo, ele está quente, majestoso e brilhante. E, apesar de toda a proteção química que tenha usado ele, ainda, pode ferir minha pele! Não me arrisco... Desisto!
Paro à sombra de minha amoreira. Colho algumas e como ali mesmo... O ato de colhê-las é irresistível, quero parar mas, avisto mais algumas ali do outro lado, deliciosas, doces e suculentas amoras... Tenho que pegá-las. E continuo ali, quase que tomada por este ritual.
Que barulho é esse?
O celular está tocando e, quebra todo o encantamento e magia que me envolviam. Saio do transe, vou atender.
Besteira, banalidade...
De volta à varanda percebo que já se passou muito tempo, preciso ir... Me desligar!
Mas, antes, dou uma boa absorvida de ar puro...
Este é o último gole, a saideira deste PORRE de Natureza!






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